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Mascates: assim eram chamados os comerciantes portugueses que atuavam no Recife no século XVI. De lá pra cá, centenas de anos se passaram e a cidade tornou-se uma grande metrópole. Apesar do crescimento e da sofisticação dos estabelecimentos hoje existentes, a capital pernambucana mantém-se, essencialmente, popular.

E não há nada mais popular no Recife do que os mercados públicos, espaços onde agora os “mascates da modernidade” comercializam produtos característicos do Estado. Culturais, acolhedores, democráticos, os mercados unem tradição e boemia, e representam como nenhum outro lugar a identidade do povo pernambucano.

Portanto, se você não conhece a beleza arquitetônica do Mercado de São José; nunca tomou café-da-manhã saboreando macaxeira com charque no Mercado da Madalena; ou comeu os suculentos bolinhos de bacalhau do Mercado da Encruzilhada, possivelmente não é recifense ou desconhece completamente às peculiaridades da cidade. Se esse é o seu caso, adicione logo este endereço à sua lista de favoritos. Seja bem-vindo à Terra dos Mascates!

Conheça os principais mercados públicos do Recife:

Mercado São José

Mercado da Encruzilhada

Mercado da Madalena

Mercado de Casa Amarela

Mercado da Boa Vista

Mercado de Santo Amaro

Veja informações sobre outros mercados no Site da Prefeitura do Recife

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Fachada do Mercado da Encruzilhada

Fachada do Mercado da Encruzilhada

Espaço cinquentenário rompe preconceitos e se consolida como o ambiente mais democrático do Recife

Manhã de sábado no Recife. Dia e turno preferidos por boa parte dos boêmios. O sol forte e o calor intenso convidam a todos para um bom papo com os amigos regado a muita cerveja gelada. Em diversos locais na Veneza brasileira, os garçons trabalham a todo vapor. Mas um lugar em especial tem se consolidado como destino mais democrático da cidade: o Mercado da Encruzilhada.

Do lado de fora, o estacionamento que contorna o espaço já está lotado. A movimentação de carros e pedestres é constante. Alguns veículos estão parados à espera da liberação de uma vaga. Algumas pessoas não aguentam e param seus automóveis nas ruas que circundam o bairro. Nem o alto índice de assaltos da localidade inibe os frequentadores do recinto.

Lá dentro, são dezenas de transeuntes nos diversos ambientes do cinqüentenário lugar. Boa parte está ali apenas para realizar as compras da semana. Afinal, o mercado vende de tudo. São 214 boxes que comercializam os mais distintos produtos. Desde alimentos até artigos para construção. No entanto, o grande chamariz do local são mesmo os “botecos”.

Divididos em duas alas, os vários bares existentes no mercado recebem pessoas das mais diferentes classes sociais. Na ala norte, o público é mais humilde e o movimento não é tão grande. Talvez porque esses lugares fiquem próximos aos banheiros, açougues e peixarias, espaços que não exalam lá um cheiro “muito” agradável.

Já na ala sul, quatro botequins travam uma sadia disputa pelos clientes que não param de chegar. Os bares ficam uns colados aos outros. A única coisa que os diferencia são as cores das mesas. O ambiente está completamente lotado. Gente de todas as classes, pessoas de todos os tipos. Dos mais “engomadinhos” até os que vestem bermudas e calçam chinelos. Camisas dos três principais clubes de futebol da capital pernambucana são vistas lado a lado. Em que outro ponto do Recife isso seria possível? Famílias, jovens, indivíduos de meia-idade e idosos parecem não se importar com a falta de conforto. Ventiladores espalhados pelos arredores não diminuem o mormaço. O calor é grande e o barulho maior ainda. Um grupo de chorinho dita o ritmo.

Mas qual o segredo de tanto sucesso? Quem sabe. Talvez seja, justamente, a essência popular. Esse é o Mercado da Encruzilhada. Um local simples, descontraído e democrático, que conserva como nenhum outro uma atmosfera lúdica e harmoniosa.

Assista ao vídeo do papagaio do Mercado da Encruzilhada que canta o hino do Sport. (Matéria da TV Globo)

Estruturas de ferro dão o charme ao Mercado de Casa Amarela

Foto: Mel Rei

Foi inaugurado em 09 de novembro de 1930, com estruturas que vieram de bonde pela empresa Borrione. O terreno onde funciona teria sido doado pelo proprietário, senhor Allain Teixeira.

Atualmente possui 817 metros quadrados com 100 boxes. Os bares e restaurantes populares, que ficam na parte externa, são muito frequentados. Alguns deles ficam abertos durante 24 horas. Lá é possível degustar comida regional no café da manhã, almoço e jantar. Um prato tradicional do local é a galinha de capoeira preparada por Dona Néri. Outro boxe muito frequentado no local é o Grandão do Queijo, ponto de venda de charque e queijo de coalho trazidos do sertão.

Em 17 de abril de 1982, foi construído o Anexo I, que atualmente tem 34 boxes, ocupados basicamente por bares. O Anexo II-Cobal, abriga 14 boxes onde são vendidos cereais e alimentos não perecíveis

Foto: Ivan Feitosa

Foto: Ivan Feitosa

O Mercado de Santo Amaro foi entregue à comunidade em 13 de junho de 1933. No local onde funciona, havia antes uma vila com casas geminadas, um terreno de propriedade do senhor Caetano Lopes.

Tem 692 metros quadrados e 82 compartimentos. Lá são comercializados cereais, frutas, verduras, frios, carnes, aves e ervas. O movimento maior está nos bares, que servem um café da manhã típico com cuscuz, macaxeira, inhame e sopa, além de almoço comercial.

Mercado da Boa Vista

Foto: Rodrigo Cantarelli

Não se sabe ao certo a data da sua inauguração, mas certamente é tão antigo quanto o Mercado de São José. Em 02 de dezembro de 196 foi completamente reformado. Atualmente possui 63 boxes onde são vendidos cereais, frutas, verduras, legumes, carnes, aves e frios, além de ervas.

Há também no local bares, que servem comida regional no café da manhã, almoço e jantar. A clientela é formada, principalmente, por sindicalistas e políticos. Um dos pratos tradicionais é patinho cozido no feijão preto.

Uma das entradas do Mercado

Uma das entradas do Mercado

Surgido no bairro nobre onde se localizava o Engenho da Madalena, o Mercado da Madalena foi construído em 06 de fevereiro de 1925.

As terras daquela localidade, foram doadas por Duarte Coelho ao cunhado Jerônimo de Albuquerque. Após sua morte, os terrenos foram divididos entre os filhos, que a passaram adiante.

Antes da construção do prédio, um grupo de feirantes se aglomerava desordenadamente no local, vendendo frutas e verduras.

A feira funcionava à noite e por isso atraía muitos boêmios. Por este motivo, o Mercado era conhecido como Mercado Bacurau, em referência aos últimos ônibus de cada linha, que circulam durante a madrugada. Nos fins de semana, o movimento se intensificava durante o dia, com destaque para o comércio de comidas típicas como mungunzá, tapioca, cuscuz e sarapatel.

Hoje em dia, o Mercado é ponto certo para jovens que vêm de noitadas em bares e boates e que param ali para comer um tradicional macaxeira com charque e revigorar as energias perdidas durante a noite de farra.

Atualmente o Mercado tem 180 boxes, onde são comercializados frutas, verduras, legumes, cereais, carnes e peixe. Há um espaço externo onde ficam os bares e restaurantes, frequentados durante todas as horas do dia

Sem sombra de dúvidas é o mercado mais popular da cidade! Com uma arquitetura do século XIX, o Mercado de São José foi inaugurado no dia 07 de setembro de 1875. O seu prédio é um dos monumentos pernambucanos, reconhecido e tombado pelo Patrimônio Histórico.

Atualmente ocupa uma área coberta de 3.541 metros quadrados. É composto por dois pavilhões, com 377 compartimentos, onde são vendidos diversos produtos. Há 27 pedras de peixe; 34 barracas internas onde são vendidos comidas e caldo de cana, além de outras 70 espalhadas pela calçada do pátio. Atualmente, o Mercado tem  545 boxes no total.

Os principais produtos que podem ser encontrados no Mercado de São José são peças de artesanato em barro, corda e palha, que fazem do local um ponto muito freqüentado por turistas de outros estados e até países. Ali também é conhecido como ponto tradicional do comércio de pescado. Semanalmente são vendidos cerca de 1,3 toneladas de peixe e 400 kg de crustáceos.

Leia a entrevista de Seu Zé do Mercado de São José, um conhecido comercicante do Mercado.

Assista ao videoclipe com fotos do Mercado de São José (produzido pela Comuniquê)